terça-feira, 30 de dezembro de 2008

“Não toqueis nos Meus ungidos..."

“Não toqueis nos Meus ungidos, nem maltrateis os Meus profetas.” Salmo 105:15

Eu não sou adventista de berço. Ao contrário, sou o único de minha família a optar por fazer parte da igreja remanescente. Passei por diversas religiões, mas o meu contato com a igreja Adventista do Sétimo Dia foi, indubitavelmente, inusitado.

Comecei a estudar as doutrinas da igreja com a única finalidade de provar para um amigo, que havia se tornado membro, que ele estava num foco de alienação, voltado para arrecadar dinheiro de pessoas ingênuas que sofriam da igreja uma antiga e superada tentativa de domínio de massa.

Minha conversão não é o foco deste artigo, mas posso fazer um breve histórico. Perguntei a um pastor, que me batizou mais tarde, qual era a base da doutrina Adventista, ele foi enfático: “o verdadeiro adventista é aquele que conhece a fundo 71 livros – os 66 da Bíblia e os cinco da Série Conflito”. Ao terminar aquela conversa, debrucei-me nesta base com o objetivo exclusivo de mostrar que era superada e deturpada. Resultado: sou adventista há dez anos. Há pouco tempo fui chamado para ser o diretor jurídico da Divisão Sul Americana, depois de ter sido o advogado da União Nordeste e da Missão Sergipe Alagoas. Respectivamente, são estruturas que coordenam as atividades da Igreja na América do Sul, na Região Nordeste e nos Estados de Sergipe e Alagoas.

Hoje tenho acesso a toda a estrutura e funcionamento da Igreja Adventista. Fico muito feliz em saber que a Igreja é exatamente aquilo que eu pensava quando tive a felicidade de devolver o dízimo e entregar a minha oferta pela primeira vez, dez anos atrás – uma estrutura séria, organizada e com o foco específico em cumprir a palavra de Deus, de capa a capa.

Todavia, isso não significa que os seres humanos que foram chamados para o trabalho sejam infalíveis. Como advogado da Igreja, lido diretamente com estas falhas. E essa é a grande questão. O que ocorre quando um ungido falha? Qual deve ser a nossa postura em relação ao erro de um pastor? Como Deus encara esta situação? A quem é entregue na terra a solução do problema?

A Bíblia é clara. A unção não existe somente quando o pastor acerta. Ao ser colocado nesta louvável função sacerdotal, Deus derrama sobre ele a unção. E isso implica grande responsabilidade. Quer acerte, quer erre, a unção estará sobre ele. Não depende da postura ou da conduta do pastor ordenado, Deus tem sobre ele a Sua unção.

Temos diversas provas bíblicas sobre a insatisfação divina sobre aqueles que atacam os ungidos: as mãos leprosas daqueles que se levantaram contra Moisés, a espada mortal sobre o executor de Saul, entre outras. Importante destacar, ainda, que Saul era um péssimo exemplo para os ungidos, mesmo assim, sua unção deveria ser respeitada, não por ele, mas pelo que estava sobre ele, entendem que a coisa é mais séria do que parece?

A solução para as falhas dos ungidos deve ser apreciada pelos ungidos. Deus lhes entregou a gestão da Igreja na Terra. Para o fortalecimento da fé, cabe à liderança da igreja postura e atitude diante da falha dos ungidos. Deixem que os ungidos resolvam os problemas dos ungidos. Tudo isso não por vontade de homens, mas porque há a unção divina em jogo! Se perdesse a crença na unção, não haveria mais motivos para permanecer no cristianismo.

Pensando na postura de membro que adotei (aos ungidos o julgamento dos ungidos), um dia me perguntei: Senhor, e se os próprios ungidos falharem no julgamento? E se eles não entenderem o meu alerta sobre um erro de um pastor e as conseqüências de sua conduta? E se eu e minha igreja sofrermos prejuízos materiais e espirituais, o que acontecerá? Quem pagará pelos erros?

Pensei ser a unção relativa, mas não foi isso que Deus me disse. Ela é absoluta! E, sobre as conseqüências, Deus foi claro e direto. Foi objetivo e, providencialmente, me respondeu de forma jurídica: “Eu Sou o fiador dos ungidos” (Hebreus 7:22).

Todos já ouviram falar dos fiadores. A maioria dos contratos de locação tem um. Se o locatário não paga o aluguel, o fiador é quem paga a dívida. Entendem o que Deus quis dizer com isso? Para mim, ele gritou aos meus ouvidos: “Creia na unção! Se um ungido falhar, Eu pagarei a dívida”. A mim, só restava dizer: “Aleluia!”

Esta você desacatando um pastor? Está você desrespeitando a unção? Se estiver, não caminhe para esse caminho de apostasia e distância de Deus. Pare agora! Apresente o caso do ungido aos ungidos, mas lembre-se: se tudo falhar, não se turbe o seu coração, Deus é o fiador daqueles em que foi derramada a unção. Deus pagará a dívida e Ele mesmo estará diante de cada ungido e fará a pergunta mais importante da vida de um pastor: “o que foi que você fez com a unção que derramei sobre sua cabeça?”

Deixe esta conversa para Deus e o ungido, não tome o lugar e a função do Senhor (Hebreus 10:30 e 31). Confie na unção, confie na Igreja Adventista do Sétimo Dia, confie nos pastores. Deus é o fiador deles! Já lidei com a falha de muitos, mas Deus nunca deixou de pagar a dívida. Deus nunca falha! Eis o porquê da minha crença na unção.

Dr. Luigi Mateus Braga, diretor jurídico da Divisão Sul Americana

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